Uma ferramenta para construir a própria existência
O ser humano é o único ser capaz de construir o próprio destino, e assumir essa responsabilidade é o grande desafio da nossa existência. A liberdade, uma condição exclusivamente humana, nos dá a possibilidade de tomar decisões e, portanto, a capacidade de moldar nossas vidas para além das circunstâncias imediatas. Desenhar nosso destino é, talvez, a aventura mais apaixonante e mais própria do ser humano.
O objetivo central de todo esse processo é enfrentar esse grande desafio: treinar-nos para construir uma existência que não apenas valha a pena, mas que valha a vida, porque é disso que se trata viver. Todos os outros recursos, técnicas e ferramentas são meios para que, finalmente, nossa existência possa ser aquilo que realmente queremos, escolhemos e concretizamos.
E-Modes é uma ferramenta de treinamento existencial que nos permite nos aproximar da complexidade humana, compreendê-la e geri-la.
Não busca substituir técnicas, recursos ou crenças que contribuam para melhorar nossas vidas; pelo contrário, facilita a articulação de todos esses esforços, oferecendo a eles um marco para desenhar uma estratégia que aborde o maior desafio intransferível de cada ser humano: construir a própria existência.
As dinâmicas do Medo e da Confiança
O E-Mode é o modo de enfrentar a existência que desenvolvemos, a estratégia com que abordamos nossa vida. Não é algo com que nascemos: ele se constrói progressivamente a partir das nossas experiências, percepções e respostas ao ambiente.
Desde que viemos ao mundo, nossa percepção da realidade se estrutura a partir de duas disposições básicas: a dinâmica do Medo e a dinâmica da Confiança. Essas duas formas de nos aproximarmos da realidade condicionam nossa maneira de enfrentar os desafios existenciais e estão na base do desenvolvimento de um E-Mode.
Dinâmica do Medo
É uma disposição perceptiva que surge quando interpretamos a realidade como uma ameaça. Nesse marco, o desafio é visto como um perigo que deve ser evitado ou controlado, o que gera uma resposta defensiva: fuga, paralisia ou enfrentamento reativo.
Essa dinâmica reduz a capacidade de exploração e criatividade, já que a atenção se concentra na autopreservação. O Medo fixa a percepção em um estado rígido, o que pode gerar padrões de conduta repetitivos e limitantes.
Dinâmica da Confiança
Surge quando a realidade é percebida como um espaço de possibilidade, no qual podemos interagir sem necessidade de nos defender. Nesse marco, o desafio é interpretado como uma oportunidade de crescimento, o que gera uma resposta de abertura, aprendizado e adaptabilidade.
A Confiança permite a exploração de alternativas, potencializando a flexibilidade cognitiva, a habilitação emocional e a ação intencional.
Como se forma um E-Mode
Sob essas duas dinâmicas fundamentais, a formação de um E-Mode pode ser explicada em três etapas.
1
Registros existenciais
O que captamos de forma desordenada nos primeiros anos
2
Eixo Existencial
O âmbito da vida que fixamos como central
3
E-Mode
Os registros organizados em torno do Eixo
A partir do Medo: registros rígidos, condicionados e restritivos
A partir da Confiança: registros abertos, flexíveis e expansivos
1. Primeiros registros existenciais
Desde os primeiros anos de vida, registramos a realidade sem uma ordem estruturada, formando o que chamamos de primeiros registros existenciais. Esses registros incluem:
- Registros cognitivos: como interpretamos no plano mental o que experimentamos (Perspectiva).
- Registros afetivos: como sentimos o que nos acontece e as emoções que despertam em nós (Afetiva).
- Registros comportamentais: as primeiras formas de agir e responder diante da realidade (Efetiva).
Desde o início, esses registros não estão organizados de modo estável e permanente, mas respondem às duas dinâmicas fundamentais do ser humano: o Medo e a Confiança.
Se a dinâmica do Medo predomina, os registros existenciais se tornam mais restritivos e condicionados. A criança internaliza uma estrutura defensiva, em que certos estímulos são interpretados como riscos ou ameaças, limitando a forma como pensa, sente e age.
Se a dinâmica da Confiança está presente, os registros existenciais tendem a ser mais abertos, flexíveis e expansivos. A pessoa desenvolve uma maior capacidade de exploração e de processamento livre da realidade. A criança experimenta o ambiente com curiosidade e segurança, integrando as experiências sem perceber uma ameaça ou incerteza significativa.
Nessa etapa, os registros que se inscrevem dentro da dinâmica do Medo ou da Confiança não estão delimitados de forma estável, mas começam a marcar uma tendência na maneira como as experiências precoces são registradas.
À medida que crescemos, não apenas experimentamos o mundo, mas interpretamos e damos significado a essas experiências:
- Recebemos mensagens explícitas e implícitas do nosso ambiente familiar, social e cultural.
- Percebemos as reações do mundo às nossas ações (aprovação, desaprovação, indiferença, afeto, rejeição).
- Interiorizamos quais aspectos da nossa identidade parecem se destacar ou ser mais valorizados para obter reconhecimento, segurança ou amor.
Essa decodificação da realidade é influenciada pelos primeiros registros existenciais e atravessada pela dinâmica do Medo e da Confiança. A maneira como registramos a realidade condiciona nossa interpretação do que nos acontece e do que consideramos relevante para nossa existência. No entanto, esses são condicionantes, não determinantes: o verdadeiramente decisivo é o que cada criança decodifica e finalmente compreende como central ou significativo em sua vida.
2. Definição do Eixo Existencial
Diversas tradições filosóficas, espirituais e psicológicas identificaram padrões centrais no comportamento humano. Pela observação de diferentes culturas, épocas e sociedades, registrou-se a existência de nove âmbitos fundamentais sobre os quais uma pessoa tende a priorizar sua atenção e estruturar suas experiências.
Esses nove Eixos Existenciais representam dimensões essenciais da vida humana e funcionam como núcleos em torno dos quais as pessoas organizam sua percepção do mundo, seus registros emocionais e suas estratégias de resposta diante da realidade. Para além das diferenças individuais ou culturais, esses eixos foram identificados como universais na experiência humana. Qualquer ser humano, independentemente de sua origem, tende a se inclinar para um deles, configurando sua identidade e suas dinâmicas pessoais de acordo com a importância que atribui a esse aspecto central.
Algumas pessoas encontram seu Eixo no Bem, guiando sua existência por princípios éticos e pela busca do que é correto. Outras o fazem em torno do Amor, priorizando a conexão afetiva e o reconhecimento emocional mútuo. Para quem se concentra na Valia, a vida gira em torno de expressar seu valor e ser reconhecido por suas capacidades e conquistas. No eixo da Identidade, a ênfase está na construção e afirmação da identidade e na importância de si mesmo.
Outros organizam sua existência em torno da Competência Pessoal, buscando conhecimento e desenvolvimento de habilidades para compreender o mundo e agir nele. Quem se orienta para a Confiança tende a viver a partir da segurança em si mesmo e na vida. No caso da Felicidade, o foco está em experimentar bem-estar e plenitude.
Há também quem se concentre na Autodeterminação, priorizando sua liberdade e a capacidade de decidir sobre o próprio caminho, enquanto outros encontram seu ponto de referência na Harmonia, valorizando o pertencimento, a colaboração e a conexão nas relações.
A definição desses Eixos ocorre dentro de um processo que pode ser determinado por eventos pontuais ou por uma sucessão de experiências. No entanto, o verdadeiramente decisivo é a interpretação que cada pessoa faz do que viveu.
De maneira inconsciente, dirigimos nossa atenção para um âmbito específico da vida que percebemos como fundamental para nossa subsistência e desenvolvimento. A criança precisa simplificar sua percepção diante da multiplicidade de desafios que enfrenta e encontrar um ponto de referência que lhe permita se orientar. Assim, constrói a ideia de que, se resolver esse aspecto da vida, contará com o necessário para se desenvolver no mundo. A esse âmbito chamamos de Eixo Existencial.
O Eixo Existencial não é uma decisão consciente; ele surge a partir de:
- Os registros existenciais prévios, que deram forma à nossa percepção do mundo.
- Os condicionamentos que recebemos, que nos transmitiram quais aspectos parecem ser mais importantes para nossa estabilidade emocional.
- Nossa interpretação subjetiva da realidade (o que decodificamos), em que priorizamos um âmbito específico como o foco da atenção cognitiva, afetiva e comportamental da nossa existência.
As dinâmicas do Medo e da Confiança influenciam a maneira como definimos esse Eixo e a forma como nos aproximaremos dele quando ele se instalar de maneira central e permanente, dando lugar a um modo existencial de enfrentar nossa vida.
Uma vez definido o Eixo Existencial, nossos registros deixam de ser dispersos e começam a se organizar em torno dele, estruturando nossa forma particular de pensar, sentir e agir. A partir disso emergem estratégias de vida alinhadas a esses eixos, que definem como cada pessoa enfrenta sua realidade e constrói seu sentido de existência: o que denominamos E-Modes.
3. Consolidação do E-Mode
Quando o Eixo Existencial já está definido, a informação que recebemos do mundo não é mais processada de maneira desordenada, mas se estrutura por meio desse Eixo. E a dinâmica do Medo ou da Confiança tem um papel-chave:
- Se o Eixo se estrutura majoritariamente a partir do Medo, os registros se tornam mais rígidos, condicionados e restritivos. A pessoa enfrenta seu Eixo com insegurança, necessidade de controle ou evitação.
- Se o Eixo se estrutura predominantemente a partir da Confiança, os registros organizados em torno dele se caracterizam por pensamentos autônomos, emoções habilitadoras e ações flexíveis. A pessoa enfrenta seu Eixo com abertura e crescimento.
Por exemplo, se alguém definiu seu Eixo na valia, mas o estruturou predominantemente a partir do Medo, pode desenvolver pensamentos de insuficiência, emoções de insegurança e ações de autoexigência excessiva para demonstrar seu valor. Se o definiu a partir da Confiança, poderá se perceber como valioso sem precisar de aprovação externa, sentindo-se seguro em suas capacidades.
À medida que esses registros organizados se reforçam com o tempo, eles se consolidam em uma estratégia estável de resposta diante da realidade: o E-Mode. É a estrutura com que interpretamos a vida e respondemos a ela, guiada por padrões de pensamento, emoção e conduta que se consolidaram com o tempo. Dependendo de ter sido moldado pela dinâmica do Medo ou da Confiança, terá características mais expansivas e adaptativas, ou mais limitantes e condicionadas.
Os nove E-Modes
Cada E-Mode se desenvolve em torno de um Eixo Existencial. A cor indica a tríade à qual ele pertence.
E-Mode 1Eixo: BemTríade efetiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que ser perfeito.
Cometo erros porque há algo defeituoso em mim.
Afetiva · o que sente
Medo de que haja algo ruim ou defeituoso dentro de si.
Efetiva · o que faz
Evitar o erro.
Perfeccionismo obsessivo.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou bom.
Sou bom pelo que sou.
Afetiva · o que sente
Alegria por ser e fazer o bem.
Efetiva · o que faz
Fazer o bem.
Melhoria contínua.
E-Mode 2Eixo: AmorTríade afetiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que ser necessário.
Não serei amado nem desejado se não for necessário.
Afetiva · o que sente
Medo de não ser amado nem desejado.
Efetiva · o que faz
Garantir o afeto.
Ajuda interessada e dependência emocional.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou amado.
Sou digno de ser amado e de amar.
Afetiva · o que sente
Amor incondicional.
Efetiva · o que faz
Amar livremente.
Entrega livre e desinteressada.
E-Mode 3Eixo: ValiaTríade afetiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que ser bem-sucedido.
O sucesso depende da minha imagem social.
Afetiva · o que sente
Medo de não ter valor além das suas conquistas.
Efetiva · o que faz
Triunfar a qualquer custo.
Adapta-se para agradar, evita a exposição ao fracasso.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou valioso.
Agrego valor pelo que sou e posso fazer.
Afetiva · o que sente
Autêntico valor inerente.
Efetiva · o que faz
Agregar valor a partir do que é.
Busca verdadeiro valor e sucesso para si e para os outros.
E-Mode 4Eixo: IdentidadeTríade afetiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que ser diferente.
Se eu não me destacar, não serei identificado.
Afetiva · o que sente
Medo de não ter importância nem identidade pessoal.
Efetiva · o que faz
Criar uma identidade distintiva.
Constrói sua identidade de maneira reativa, para não ser comum.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou quem sou.
Tenho identidade própria e sou valorizado por quem sou.
Afetiva · o que sente
Aceitação e confiança em sua singularidade.
Efetiva · o que faz
Desenvolver e expressar sua identidade.
Expressa sua criatividade de maneira construtiva.
E-Mode 5Eixo: Competência PessoalTríade perspectiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que conhecer tudo.
Preciso me capacitar para poder agir.
Afetiva · o que sente
Medo de ser inútil, incapaz, incompetente.
Efetiva · o que faz
Especializar-se compulsivamente.
Acúmulo inútil de conhecimento.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou competente.
Posso conhecer a realidade e agir nela.
Afetiva · o que sente
Útil e hábil.
Efetiva · o que faz
Saber e saber fazer.
Entende a realidade e participa do mundo.
E-Mode 6Eixo: ConfiançaTríade perspectiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que estar seguro.
Preciso me apoiar em alguém ou em algo para estar seguro.
Afetiva · o que sente
Medo de ser incapaz de sobreviver sozinho, de não ter apoio nem orientação interior.
Efetiva · o que faz
Garantir o futuro.
Evita a incerteza, busca segurança em tudo.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou capaz.
Posso enfrentar a vida apoiado em mim mesmo.
Afetiva · o que sente
Confiança na capacidade de enfrentar a vida.
Efetiva · o que faz
Confiar nos outros e apoiá-los.
Transcende seus medos com coragem.
E-Mode 7Eixo: FelicidadeTríade perspectiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que estar alegre sem sofrer.
Preciso garantir que estarei satisfeito, sem sofrimentos.
Afetiva · o que sente
Medo de ficar preso na dor, no sofrimento ou na privação.
Efetiva · o que faz
Evitar a dor.
Escapismo frenético com estímulos.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou feliz.
Tenho e terei tudo o que é necessário para ser feliz.
Afetiva · o que sente
Serenidade e gratidão.
Efetiva · o que faz
Ser feliz e fazer os outros felizes.
Encontra satisfação no presente.
E-Mode 8Eixo: AutodeterminaçãoTríade efetiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que estar no comando.
Não posso mostrar minha vulnerabilidade nem confiar em ninguém.
Afetiva · o que sente
Medo de ser dominado, controlado, traído.
Efetiva · o que faz
Defender-se e controlar.
Esconde sua fragilidade, desconfia, controla, domina.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou autodeterminado.
Posso escolher e decidir confiando nos outros.
Afetiva · o que sente
Determinação e confiança.
Efetiva · o que faz
Decidir seu caminho e liderar os outros.
Decide, protege e lidera os outros de forma positiva.
E-Mode 9Eixo: HarmoniaTríade efetiva
A partir do Medo
Perspectiva · o que pensa
Tenho que evitar os conflitos.
Se houver conflito, posso perder uma relação.
Afetiva · o que sente
Medo de perder um vínculo, da separação ou da desconexão.
Efetiva · o que faz
Pacificar a qualquer custo.
Foge das tensões, deixa a si mesmo para depois, minimiza os problemas.
A partir da Confiança
Perspectiva · o que pensa
Sou harmonioso.
Posso viver em harmonia ocupando meu lugar no mundo.
Afetiva · o que sente
Conexão, firmeza, serenidade.
Efetiva · o que faz
Afirma-se em paz e harmonia.
Conecta-se consigo mesmo, com o mundo e com os outros.
Integração e desintegração
A dinâmica do Medo e da Confiança condiciona nossa percepção da realidade, influenciando como pensamos, sentimos e agimos, e determina o grau de integração ou desintegração das três dimensões existenciais: a efetiva, a afetiva e a de perspectiva.
A partir do Medo
As dimensões se desarticulam: o que penso, sinto e faço se separam.
A partir da Confiança
As dimensões se integram em torno do Eixo: cresce a área de alto rendimento humano.
Quando prevalece a dinâmica da Confiança, essas dimensões tendem a se articular, gerando uma maior integração. Isso dá lugar a uma área de interseção maior, onde o que pensamos, o que valorizamos e amamos e o que finalmente fazemos se alinham de maneira coerente. A essa zona chamamos de área de alto rendimento humano, já que é nesse espaço que nossa existência alcança seu máximo desenvolvimento e autenticidade. Quanto mais integrados estamos, mais nos realizamos no âmbito ou Eixo Existencial que orienta nosso foco de atenção cognitivo, afetivo e comportamental.
Por outro lado, quando domina a dinâmica do Medo, as dimensões se desarticulam, dando lugar a processos de desintegração. O que pensamos se distancia do que sentimos, e o que sentimos se afasta do que fazemos. Essa fragmentação impede que vivamos uma existência coerente entre o que valorizamos e acreditamos (Perspectiva), o que nos apaixona e desejamos (Afetiva) e o que finalmente conseguimos concretizar (Efetiva).
Em síntese
- Primeiros registros existenciais
- Primeiras impressões cognitivas, afetivas e comportamentais que captamos, interpretamos e às quais damos um significado de modo desarticulado a partir das nossas experiências precoces.
- Eixo Existencial
- Dimensão da vida que, de maneira inconsciente, definimos como central em nossa existência.
- E-Mode
- Estratégia de resposta diante da vida. É o modo como abordamos nossa existência, consolidado a partir da organização dos nossos primeiros registros existenciais em torno do Eixo Existencial.
- Dinâmica do Medo ou da Confiança
- Aproximações básicas à realidade que moldam a maneira como registramos o que vivemos. Se predomina a Confiança, os registros são abertos, flexíveis e expansivos; se predomina o Medo, são condicionados, rígidos e restritivos.
Registramos a realidade de maneira desorganizada nos primeiros anos (registros existenciais), influenciados pela dinâmica do Medo ou da Confiança. Decodificamos as mensagens do ambiente e interpretamos o que é essencial para nossa existência (condicionamentos e decodificação). Concentramos nossa atenção em um âmbito específico, percebido como central em nossa vida (Eixo Existencial), e organizamos nossos registros em torno desse Eixo, moldados pela Confiança ou pelo Medo. Assim consolidamos uma estratégia de resposta estável: o E-Mode.
Para o processo de acompanhamento
Por quê?
De onde vem · causa ou razão
Como?
Como penso, sinto e ajo · modo ou maneira
Para quê?
O que busco · propósito ou finalidade
O quê
Minha existência
E-Mode · modo de enfrentar a existência
A partir do Medo → existência inautêntica
A partir da Confiança → existência autêntica
Pensar, sentir e fazer a partir do Medo e a partir da Confiança
Comparamos a dinâmica do Medo e a dinâmica da Confiança a partir das características dos pensamentos, sentimentos e ações que as distinguem. O objetivo é identificar como operamos em cada dinâmica para facilitar a identificação e a mudança em direção à Confiança.
A partir do Medo
Predominam a sensação de ameaça, os pensamentos limitantes e as ações focadas na evitação. A pessoa busca se proteger, o que restringe sua capacidade de avançar e gerar novas oportunidades.
A partir da Confiança
Predominam a abertura, a confiança e a disposição para explorar. Os pensamentos são positivos e orientados a soluções, e as ações são impulsionadas pela proatividade e pelo aprendizado.
O modo Medo limita, enquanto o modo Confiança expande. Reconhecer em que modo nos encontramos nos permite tomar decisões conscientes e livres e, assim, construir uma existência autêntica.
É importante levar em conta que, quando falamos do modo Confiança ou do modo Medo, estamos nos referindo a duas dinâmicas fundamentais com que enfrentamos a realidade. Não estamos falando de emoções nem de sentimentos em si (a emoção é uma reação automática e breve; o sentimento, sua interpretação consciente e duradoura).
O medo, como emoção básica, nos protege dos perigos, nos impulsiona a nos antecipar aos fatos e a cuidar da nossa subsistência: é um mecanismo que favorece nossa autoconservação. No entanto, quando essa emoção ou esse sentimento se torna a dinâmica central a partir da qual abordamos a vida, seja por meio do que pensamos, sentimos ou fazemos, essa dinâmica se torna restritiva, limitante e nos conduz a uma existência inautêntica.
| Aspecto | A partir da Confiança | A partir do Medo |
|---|---|---|
| Estado geral | Expansivos, otimistas, orientados ao progresso. | Limitantes, pessimistas, centrados no problema. |
| Autoimagem | Positivos, seguros de si, conscientes do próprio valor. | Negativos, autocríticos, centrados nos próprios defeitos. |
| Relação com os outros | Conectados, empáticos, dispostos a colaborar. | Isolados, desconfiados, defensivos. |
| Estabilidade | Ponderados, serenos, equilibrados. | Caóticos, reativos, sobrecarregados. |
| Energia | Proativos, motivadores, focados em soluções. | Desgastantes, desmotivadores, centrados nas dificuldades. |
| Visão de futuro | Esperançosos, construtivos, abertos a possibilidades. | Catastrofistas, incertos, cheios de preocupação. |
| Abertura | Flexíveis, curiosos, dispostos a explorar. | Fechados, rígidos, com medo do desconhecido. |
| Relação com o risco | Corajosos, calculados, orientados ao crescimento. | Evasivos, conservadores, centrados em evitar perigos. |
| Capacidade de decisão | Determinados, claros, orientados a objetivos. | Indecisos, hesitantes, centrados no medo de errar. |
| Criatividade | Inovadores, imaginativos, dispostos a testar novas ideias. | Bloqueados, rígidos, com medo de experimentar. |
| Autonomia | Independentes, responsáveis, com autodeterminação. | Dependentes, inseguros, com dúvidas sobre as próprias capacidades. |
| Aspecto | A partir da Confiança | A partir do Medo |
|---|---|---|
| Estado geral | Alegria, gratidão, plenitude, entusiasmo pela vida. | Tristeza, frustração, raiva, apatia. |
| Autoimagem | Aceitação de si mesmo, orgulho, confiança nas próprias capacidades. | Autojulgamento, vergonha, sensação de insuficiência. |
| Relação com os outros | Empatia, conexão, aceitação, generosidade. | Desconfiança, ressentimento, isolamento, rejeição. |
| Estabilidade | Segurança, tranquilidade, calma, serenidade. | Insegurança, nervosismo, ansiedade, temor. |
| Energia | Vitalidade, força, motivação, proatividade. | Cansaço emocional, letargia, desmotivação. |
| Visão de futuro | Esperança, otimismo, entusiasmo, confiança na mudança. | Preocupação, pessimismo, desesperança, medo do incerto. |
| Abertura | Curiosidade, entusiasmo, interesse, disposição para explorar. | Cautela, desconfiança, fechamento, resistência. |
| Relação com o risco | Coragem, disposição para assumir desafios, gestão do risco. | Medo do fracasso, evasão, sensação de perigo. |
| Capacidade de decisão | Clareza, segurança, compromisso, iniciativa. | Indecisão, dúvida, procrastinação, paralisia. |
| Criatividade | Inspiração, imaginação, fluidez, abertura mental. | Bloqueio, rigidez, medo de falhar. |
| Autonomia | Empoderamento, autoconfiança, autoestima, determinação. | Dependência, desvalorização, impotência, vulnerabilidade. |
| Aspecto | A partir da Confiança | A partir do Medo |
|---|---|---|
| Estado geral | Agir com entusiasmo e dinamismo, avançar com determinação. | Evitar agir, procrastinar ou recorrer a padrões de evasão. Hiperatividade. |
| Autoimagem | Mostrar confiança nas próprias capacidades, aceitar desafios. | Evitar desafios, buscar aprovação externa, autoexcluir-se. |
| Relação com os outros | Colaborar, buscar conexões significativas, demonstrar empatia. | Isolar-se, evitar conversas ou mostrar-se defensivo. |
| Estabilidade | Tomar decisões com calma, manter a compostura nas crises. | Reagir de maneira impulsiva, paralisar ou cair no caos. |
| Energia | Ser proativo, persistente e manter o foco nas metas. | Mostrar-se inativo, pouco motivado e desorganizado. |
| Visão de futuro | Planejar a longo prazo, estabelecer objetivos claros. | Evitar planejar, centrar-se em problemas imediatos. |
| Abertura | Explorar novas opções, viver experiências desconhecidas. | Manter rotinas rígidas, rejeitar mudanças ou inovações. |
| Relação com o risco | Assumir riscos calculados, enfrentar desafios. | Evitar situações desafiadoras ou agir de maneira temerosa. |
| Capacidade de decisão | Tomar decisões com segurança, assumir a responsabilidade. | Adiar decisões, duvidar continuamente ou delegar em excesso. |
| Criatividade | Gerar ideias originais, buscar soluções fora do comum. | Bloquear-se, evitar pensar fora do estabelecido. |
| Autonomia | Agir de maneira independente, confiar nas próprias decisões. | Depender excessivamente dos outros, evitar agir sem apoio. |

